Muito bem apresentável estava Eduardo, exalava uma colônia que foi presente de sua mãe, cabelos bem penteados, unhas bem cortadas, roupas bem alinhadas. Havia tempo estava sem emprego e esta seria sua primeira entrevista em semanas, tinha tudo para dar certo, mas, acabou por se atrasar na arrumação necessária, de forma que um uber seria necessário.
Tirou do bolso seu smartphone, menos esperto que outros de última geração e que trazia um trincado na tela, mas cumpria bem o seu propósito. Sobre o aplicativo que abriu, já conhecia bem como funcionava, percebeu que o motorista teria que fazer um retorno na avenida de forma que a corrida ficaria uns 5 a 7 reais mais cara, o dinheiro que ele poderia voltar de ônibus, porque definitivamente não daria pra pegar outro uber. Decidiu-se, colocou o endereço da lanchonete do outro lado da avenida como ponto de partida e se dirigiria para lá enquanto o carro chegava.
Contudo o celular vibrou: “Danilo Chegou”, era o motorista. Eduardo sabia que aquele semáforo demorava para abrir, o medo de ter que pagar uma taxa de cancelamento se deixasse-o esperar, apoderou-se dele, correu em meio aos carros. Então em uma pancada seca encontrou seu futuro: Não veio como pensava mais cedo, morreu na simplicidade da dianteira de um Fiat Mobi, que vinha à toda velocidade.